Será que essa nova Nissan Navara vem para o Brasil como Frontier?

E a Nissan apresentou a nova Navara ao público, mas será que esse é o mesmo modelo que virá para o Brasil como Frontier?

Quem se baseou em quem?

Ao contrário de algumas outras marcas, a Nissan apresentou ao mercado uma nova Navara totalmente reformulada. O evento ocorreu no último dia 19 na Austrália. Mas, será que realmente é esse o modelo que virá ao Brasil como Frontier?
Eu ainda não estou totalmente convencido disso.

Em primeiro lugar, apague todas estas bobagens que você leu de que a Nissan lançou uma “nova Frontier”. Apesar da imprensa “apressadinha” ter divulgado a nova Navara como sendo uma nova Frontier com compartilhamento da base da nova Triton, a verdade não é bem essa. O que foi lançado lá fora é a nova Navara, e essa é a informação correta. Lembre-se que temos uma Nissan Frontier nos Estados Unidos, que não é a Navara. Mercados distintos. modelos distintos.

Além disso, é importante corrigir também outro erro que a imprensa está cometendo:
A Renault, Mitsubishi e Nissan fazem parte de uma aliança que busca compartilhar engenharia, produção e partes em seus novos projetos, e a base da nova Triton foi, na verdade, desenvolvida pela Nissan. A confusão feita pela imprensa e pelo público ocorre de uma interpretação apressada e equivocada, já que a nova Triton foi lançada primeiro no mercado.
A base que foi desenvolvida pela Nissan para a nova geração elétrica da picape tem uma rigidez torcional 40% maior, ao mesmo tempo que oferece 60% mais de rigidez flexional, e a intenção aqui na verdade não é deixar o chassi mais resistente (como também concluiu errado boa parte da imprensa) , até porque a atual base da Navara/Frontier já possuía o chassi mais reforçado do mercado, mas a ideia aqui foi de suportar o peso das baterias que serão futuramente instaladas na picape, quando ela se tornar totalmente elétrica ou híbrida.

Esse compartilhamento de bases é algo bastante comum no mercado hoje, mas não nasceu agora. Na época da Autolatina, quando a Ford e a Volkswagen se uniram lá em 1987 no Brasil e na Argentina, modelos foram compartilhados entre as fábricas, como o Ford Versailles e o Royale, que eram variações do Santana e da Quantum da VW, mas com os logotipos da Ford. Outros modelos foram também compartilhados entre as duas montadoras.
A GM Tracker de primeira geração (2001-2009) era essencialmente um Suzuki Grand Vitara com a marca Chevrolet. Essa parceria resultou em veículos que compartilhavam a mesma base mecânica e design, sendo a principal diferença o emblema da montadora.
Atualmente temos, como exemplo, o Peugeot Landtrek, que é uma picape desenvolvida pela chinesa Changan (com inspirações da Nissan Frontier), que acabou se tornando depois a Fiat Titano, e agora a RAM Dakota, com as alterações estéticas e os logos de cada marca, mas sempre com a mesma base.
Eu poderia citar aqui, ainda, muitos outros exemplos.
Essa estratégia permite reduzir custos e diminuir a operação, algo essencial para sobreviver num mercado cada vez mais competitivo, principalmente pela pressão chinesa. Também melhora a logística e a disponibilidade de peças de reposição.

A Nova Navara apresentada na Austrália

Haviam muitas especulações sobre a possibilidade da Nova Frontier compartilhar o mesmo conjunto da Triton, e o modelo, chamado lá fora de Nissan Navara, apresentado agora na Austrália, mostra uma picape bastante parecida com a Triton, não escondendo a intenção da Mitsubishi e da Nissan. Compare visualmente os modelos abaixo:

Nova-Frontier-Lançamento- Triton

Nova-Frontier-004

Bastante semelhantes, mas não iguais. Elas não trocaram só emblemas frontais, mas procuraram criar as suas próprias identidades.

O motor japonês é um 2.4 turbodiesel de 203cv com 47,9kgfm de torque associado ao câmbio automático de seis marchas, e com tração 4X4. Mecânica confiável e robusta, conhecida da Triton e também na linha Pajero.

A engenharia da marca buscou destaques próprios para o seu modelo, como ajustes no conjunto de suspensão para oferecer um comportamento dinâmico diferente daquele adotado na Triton.
Temos ainda o bloqueio eletrônico do diferencial traseiro e o sistema Easy 4WD, que aciona a tração integral apenas quando necessário.
A Navara também possui sete modos de condução: Normal, Eco, Gravel, Snow, Mud, Sand e Rock, adaptando automaticamente o conjunto para cada aplicação. A capacidade de carga chega a 1.047 kg.

A Nissan incorporou todo o sistema ADAS na nova geração da Navara, considerado o mais preciso e confiável do mercado hoje, com alerta de permanência em faixa, alerta de ponto cego, frenagem autônoma para evitar colisões e que alcança até 2 veículos à frente (único no mercado), além de muitos outros recursos inteligentes e funcionais, e aproveitou para incluir o controle de cruzeiro adaptativo, algo ainda polêmico que muitos alegam aumentar o número de acidentes, mas era uma constante exigência dos consumidores (eu particularmente o acho desnecessário).
Os recursos incluem:

  • Alerta e Assistente de Faixa de Emergência para intervenções críticas de segurança
  • Reconhecimento de Sinais de Trânsito
  • Assistente de Emergência para Acionamento Incorreto do Pedal, prevenindo aceleração distraída
  • Faróis e lanternas traseiras em LED desde a versão básica, garantindo iluminação superior
  • Aviso de Saída de Faixa com Assistente de Correção
  • Aviso de Ponto Cego com Assistente de Mudança de Faixa
  • Alerta de Tráfego Cruzado Dianteiro e Traseiro
  • Assistente de Farol Alto para otimizar a visibilidade
  • Limitador de Velocidade Inteligente, auxiliando no cumprimento das normas de velocidade
  • Sistema de Monitoramento do motorista para sono e desatenção
  • Sistema de Alerta de Colisão com Assistente de Frenagem Autônoma com Monitoramento de dois a três veículos à Frente
  • Alerta e Monitorament0 de Movimentos nas laterais, na frente e na traseira inclusive para pequenos animais
  • Alerta e Frenagem de risco de pedestres
  • Sistema Anti-capotamento
  • Monitor de Pressão dos Pneus com aviso de queda rápida de pressão
  • Sistema de Monitoramento e Controle em neblina
  • Controle de Cruzeiro Adaptativo Disponível
  • E outros

A picape emprega uma central multimídia de 9 polegadas e um painel digital de 7 polegadas com instrumentos analógicos laterais. E o mais importante: apesar de toda a modernização desenvolvida, a marca ainda manteve botões físicos para alguns comandos básicos, o que já foi provado que aumenta a segurança com menor distração do motorista. Importante lembrar que algumas entidades de testes de segurança já alertaram que carros sem controles físicos não receberão mais nota máxima em segurança.

Com muitos recursos embarcados, inclusive rastreamento nativo em caso de furto, ela pode ser considerada a picape mais tecnológica hoje do mercado, e com confiabilidade japonesa.

A nova Navara mantém o conjunto mecânico e tecnológico que vai equipar inicialmente as versões ST-X e a aventureira PRO-4X.

O visual mantem a tradicional identidade da marca com a grade em “V”, mas mostra algumas semelhanças com a parceira japonesa. A grade frontal traz linhas horizontais, e os faróis seguem um desenho parecido com a Triton. A traseira traz linhas que não negam o compartilhamento de soluções.

O painel de instrumentos, a disposição da central multimídia e o arranjo interior reproduzem a semelhança com a Triton, mas a Nissan ampliou  o modelo com recursos de conectividade. Entre esses, temos o Apple CarPlay e Android Auto sem fio, além do aplicativo MyNissan, que permite travar portas e ajustar a climatização pelo celular, inclusive à distância, além de um sistema nativo de rastreamento para localização em caso de furto, algo que seria muito útil aqui no Brasil, e que inexplicavelmente as marcas não costumam se preocupar muito com isso.

Essa nova Navara estreia na Austrália e na Nova Zelândia logo no primeiro trimestre de 2026, mas ainda não há anúncios para o seu lançamento em outros mercados. Ela será vendida com 10 anos de garantia, e com quilometragem estendida.

Essa versão virá para o Brasil?

Eu responderia à esta pergunta com bastante cautela, e acredito que não faltam razões para isso.

Vamos rever um teaser da nova Frontier que a Nissan divulgou recentemente:

Nova nissan frontier no site de picapes

Observem bem essa frente. Ela se parece em alguma coisa com o modelo lançado?
Essa frente antecipada em imagens pela Nissan mostra uma caminhonete alinhada com a nova identidade da marca, com iluminação horizontal em linha, como a usada aqui no novo Nissan Kicks.
Isso não é no mínimo curioso? Parece que a imprensa não se atentou a esse detalhe já que busca correr com a divulgação da notícia, e não interpretá-la e apurá-la com mais cuidado.

Hoje temos 4 derivadas da Frontier/Navara oferecidas ao mercado. A primeira é a nossa versão atual, que deixou de ser fabricada na Argentina mas ainda é feita no México. A segunda versão é a americana, com um projeto mais voltado ao mercado estadunidense. A terceira versão é essa agora apresentada, e uma quarta versão foi recentemente apresentada como fruto da joint venture (empreendimento conjunto) entre a Nissan e a montadora chinesa Dongfeng, responsável pela produção e venda desses veículos na China, devendo ser oferecida somente por lá.
E ainda podemos ter essa verão do teaser acima, com detalhes que remetem à nossa Frontier vendida aqui. Teria alguma lógica termos um modelo para um perfil de consumidor mais conservador e fiel à marca pelas suas virtudes individuais, até mesmo, quem sabe, com a sua elogiada suspensão traseira multilink.

Outro argumento que vou usar aqui é o fato de que a Nissan e a Mitsubishi buscam não competir com veículos compartilhados no mesmo mercado, e a Nova Triton acabaria por dividir compradores com a nova Navara.
Algo semelhante já ocorre com os projetos compartilhados entre a Renault e a Nissan. A picape Alaskan, que era na verdade uma Frontier com a logomarca Renault, nunca foi vendida aqui, e o Kicks, que teve a base do Kardian para o seu desenvolvimento, em nada se parecem, e por isso são vendidos no mesmo mercado.
Seguindo essa lógica, seria possível termos aqui na America Latina uma picape exclusiva e uma versão elétrica trazida de fora, ou com a mesma base da Triton, já que essa base foi criada pela Nissan.
Portanto, eu ainda acho muito cedo anunciar essa nova Navara como a futura Frontier para o Brasil. Melhor ter cautela.

Fotos da nova Navara

Nova Navara Frontier 2026 Mitsubishi Triton

Nova Navara Frontier 2026 Mitsubishi Triton

Nova Navara Frontier 2026 Mitsubishi Triton

Nova Navara Frontier 2026 Mitsubishi Triton

Nova Navara Frontier 2026 Mitsubishi Triton

Nova Navara Frontier 2026 Mitsubishi Triton

Nova Navara Frontier 2026 Mitsubishi Triton

Nova Navara Frontier 2026 Mitsubishi Triton

Nova Navara Frontier 2026 Mitsubishi Triton

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